As comédias românticas têm uma fórmula que não precisa ser renovada. Basta um leve ajuste na premissa e pronto: há sempre público esperando por elas. É por isso que vemos roteiros cansados, denunciando seu desfecho já no trailer; títulos muito parecidos (‘Alguma-Coisa- AMOR’); o mesmo clã de atores de sempre e até os cartazes atendendo a um estilo similar. Não admira que quando algum projeto rompa com esse conforto, exista o inevitável contraste entre a mesmice e a novidade.
É isso que acontece com ‘500 Dias Com Ela’ (o título original, 500 Days of Summer, é um trocadilho com “Verão” a tradução ao pé da letra, do nome da personagem). O filme simplesmente se apropria dos clichês do gênero, recicla-os de forma brilhante e os transforma numa obra apaixonante – sim, à primeira vista.
A começar pelos gênios trocados: aqui, o homem e a mulher, a grosso modo, assumem a posição inversa. Enquanto Tom Hansen (Joseph Gordon-Levitt, fofíssimo) faz a linha idealista e romântica, a mulher por quem ele cai de quatro, Summer (Zooey Deschanel, de O Guia Do Mochileiro Das Galáxias!), tem aversão a compromissos e aparentemente está preocupada com a felicidade momentânea, desde que seja intensa e valha a pena.
A história então vai sendo contada de forma não-linear, buscando os best-moments através dos 500 dias referidos no título. E o cuidado com os detalhes é primoroso: note, por exemplo, como as ilustrações com os dias ‘mudam de clima’ de acordo com a situação. Há ainda um capricho delicioso com a trilha sonora, o que permite que o expectador se divirta com as referências a Ringo Starr, The Smiths, Feist, Simon & Garfunkel… E faça links com algumas fontes de onde o diretor Marc Webb provavelmente bebeu, como WaltDisney, A Primeira Noite de um Homem, PushingDaisies, Annie Hall e Jean-Pierre Jeunet. A cena da dança de júbilo do Tom Hasen bem que podia ser uma versão moderninha de Singin’ in The Rain, reparou?
Há mesmo muitas surpresas maravilhosas nesse filme e há, inegavelmente, espirituosidade, criatividade, sutileza e, por que não, alguma dose de realidade. Ingredientes que deveriam ser mais presentes não só nas comédias românticas, mas na vida. É 5 estrelas, mano.

Stop and smell the roses!
novembro 12, 2009 às 3:45 pm |
Nem vi e já gostei.
março 3, 2010 às 2:10 am |
esse filme me deixou totalmente apaixonado
nunca em toda minha vida eu tinha me identificado tanto com uma personagem como eu me identifiquei com a Summer!
MA-RA-VI-LHO-SO!
março 4, 2010 às 4:42 pm |
Legal, Agáh!
Vamo ver o que o Marc Webb vai fazer, agora como novo diretor da franquia do Homem-Aranha!